António Borges elogia politica do Ministério da Educação

António Borges, em artigo de opinião no Público de Domingo, aprova a política seguida pelo Ministério da Educação.
Para que não fiquem dúvidas acerca do seu posicionamento relativamente a esta matéria, começa o artigo da seguinte forma:

“Todos os governos têm bons e maus ministros. O actual governo não é excepção: alguns ministros são excelentes, outros desastrosos. A mais agradável surpresa entre os actuais governantes é provavelmente a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.
A actuação da ministra da educação tem sido desde o primeiro dia, extremamente certeira.”
Para justificar este comentário, refere:
“ Começou pela decisão, muito impopular mas não menos importante, de mandar encerrar as escolas com um número insuficiente de alunos.
...
Mais recentemente a ministra começou a atacar o problema do insucesso escolar.
...
Muitos professores e sobretudo os seus sindicatos, consideram a avaliação insultuosa, com o argumento falacioso que se destina apenas a poupar dinheiro.
...
A essência de qualquer processo de avaliação é o seu carácter discriminatório. Os professores, como quaisquer outros profissionais, têm de aceitar que há muito bons, bons, medíocres e maus. Daí que as quotas sejam absolutamente essenciais em qualquer processo sério de avaliação. Se, como até aqui, a avaliação classifica todos como bons ou muito bons, estamos perante uma enorme farsa, que justamente corresponde à negação do conceito de avaliação.
Por último a participação dos pais no processo de avaliação dos professores é fundamental. Os pais são os principais interessados na boa educação dos seus filhos. Melhor que ninguém eles sabem o que é melhor para as crianças. É aberrante que, reconhecendo a todos sem excepção a capacidade e competência para avaliar e escolher quem nos governa, não aceitemos aos pais a capacidade e competência de avaliar quem educa os seus filhos. Em todas as melhores universidades do mundo os professores são avaliados pelos alunos.
...
É indispensável repor uma grande seriedade na acção educativa, o que implica o empenhamento dos professores, os únicos que podem de facto fazer a diferença. A avaliação é uma peça fundamental da renovação que se exige na educação. E a participação dos interessados, a quem a educação se destina, é uma garantia de seriedade e independência.”
Para concluir:
“ Maria de Lurdes Rodrigues trouxe ao Ministério da Educação uma extraordinária lufada de ar fresco. Pela primeira vez, desde há muitos anos, se estão a atacar os verdadeiros problemas de um sector fundamental da acção do Estado. Se for bem sucedida, ficaremos com outra esperança quanto à viabilidade da reforma do Estado em Portugal. Se ceder ou diluir as suas reformas face às posições retrógradas e corporativistas de quem se sente atingido no conforto e nos seus privilégios, então continuaremos com boas razões a duvidar do futuro do país.”
Depois do recado do Presidente da República, mais um apoio explicito à política da Ministra da Educação. Apoio que provém de alguém que muitos apontam como eventual candidato a primeiro-ministro, pelo maior partido da oposição, num futuro próximo. Mas que coloca os interesses do país à frente dos seus interesses partidários. Depois da guerra do ministro da saúde com os farmacêuticos, surge a guerra da ministra da educação com os professores. A primeira foi ganha pelo ministro. A segunda vai pelo mesmo caminho. Como diz o outro: “Habituem-se...”









